segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A MENINA E O CAVALO



Havia uma fazenda no Rio de Janeiro que ficava um pouco longe da cidade. O dono dessa fazenda era o Seu José. O Seu José tinha uma filha que se chamava Jéssica. Ela tinha dez anos e gostava muito de cavalos, mas seu pai não a deixava chegar perto dos animais.
Um lindo dia, a Jéssica estava andando pela fazenda e entrou num lugar onde ninguém tinha entrado antes, além de seu pai. Jéssica então ouviu um barulho...
...Pocotó, pocotó, pocotó...
Jéssica então olhou e viu um cavalo lindo e falou:
- Oi garoto!
Jéssica se apaixonou pelo cavalo e resolveu chamá-lo de Chuvisco. Ela escondeu o Chuvisco e foi procurar seu pai e perguntou-lhe:
- Pai, sumiu algum dos seus cavalos?
E o seu José respondeu:
- Não, minha filha! Não sumiu nenhum dos meus cavalos. Mas por que você quer saber disso?
E Jéssica respondeu:
- Por nada, pai!
Jéssica se afastou e foi atrás de Chuvisco. Chegando lá falou ao Chuvisco:
- Oi Chuvisco, você está com fome? Eu trouxe comida para você!
Chuvisco comeu toda a comida e depois eles brincaram. Enquanto isso, Seu José estava procurando a Jéssica. Andou por toda a fazenda e encontrou a menina com o Chuvisco e disse:
- O que você está fazendo com este cavalo?
E a Jéssica respondeu:
- Pai, eu só estou cuidando dele.
E o seu José falou:
- Me dê ele, você não pode ficar com ele.
O Seu José pegou o cavalo e vendeu. Jéssica ficou muito triste. Passaram-se alguns dias e chegou o aniversário de Jéssica, mas ela não estava feliz. Na hora da entrega dos presentes Seu José percebeu que a menina não estava alegre. Ele então jogou o presente que ele tinha comprado no lixo. E foi fazer uma surpresa para a filha.
Quando chegou a hora de Seu José dar o seu presente, Jéssica viu que ele estava sem nada nas mãos e falou:
- Pai, cadê o meu presente?
- O seu presente está lá fora, vamos lá! – disse o pai.
E quando Jéssica viu o seu presente ficou muito, mais muito feliz e falou:
- Pai, muito obrigada por ter me dado o chuvisco!
A Jéssica ficou com o Chuvisco e assim todos viveram felizes!

Texto e ilustração: Estefane Cavalcante
09 anos - Aluna do 4º ano da E.M. Paraíso das Acácias
Macapá - AP

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

A CRÔNICA DOS CENTAVOS



Hoje ao sair de casa para a labuta diária, um fato me chamou a atenção. Eu tirei o carro da garagem, desci para fechar o portão e um objeto brilhante ofuscou meus olhos. Estava ali, dentro de um pequeno córrego que passa em frente de casa. Como bem sabemos a cidade de Macapá praticamente não tem saneamento básico e o esgoto é assim, a céu aberto. Mas o fato é que aquele pequeno objeto continuava a brilhar. Aproximei, agachei-me e vi que era uma moeda, uma moeda de cinquenta centavos. Dava pra ver direitinho sob a água fedida e corrente daquele esgoto. Quis pegar a moeda, mas uma recordação me veio à memória. Uma recordação que me fez lembrar que nem sempre “dois mais dois é quatro”. Há uns anos atrás esta moeda teria um grande valor em minha vida, muito mais do que vale hoje.
Quando eu era adolescente, teve um dia que saí para a escola com apenas o dinheiro da passagem da ida. Para a volta me faltavam dez centavos. Mas mesmo assim eu fui. Eu tinha esperança que tudo desse certo. Na escola não quis pedir dinheiro emprestado para ninguém, talvez meus colegas nem tivessem. E aí quando eu saí a minha preocupação era somente uma: encontrar uma moeda de dez centavos. Eu tinha que encontrar dez centavos...
Vejam bem, a passagem do ônibus não custava dez centavos, mas se não tivesse aqueles dez centavos eu não voltaria para casa de ônibus. E a escola era bem longe. De ônibus eu gastava cerca de 30 minutos. Quanto tempo eu gastaria a pé? Não queria nem pensar nessa possibilidade!
Saí andando pelas ruas de cabeça baixa, quem sabe eu encontraria os dez centavos. Qualquer um que passasse por mim e me visse cabisbaixo pensaria que eu estava triste, cansado. Na verdade eu estava sentindo tudo isso, mas o que eu queria mesmo era encontrar uma moeda de dez centavos. Engraçado que quando a gente não está procurando elas aparecem, mas quando a gente está precisando as danadas se escondem, só para ver o mal da gente, será?
E aí as esquinas se passavam e a esperança continuava viva: na próxima eu encontro. E depois de duas horas de caminhada naquele sol intenso do meio do mundo, adivinhem, cheguei em casa morto de cansado e sem os benditos dez centavos.
Gente, esses cinquenta centavos que eu estou a olhar, naquele tempo valia ouro para mim. Hoje, talvez eu não precise dele tanto quanto alguém possa precisar. Cinquenta centavos valem muito pouco para quem ganha bem, mas é um tesouro nas mãos de quem não tem o que comer. Por isso, eu voltar para o carro e vou deixar essa moeda no mesmo lugar, talvez a pessoa que vá apanhá-la precise dela mais do que eu.

Por Paulino Barbosa

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A FADINHA MEL

Ilustração: Estefane Cavalcante
Era uma vez um mundo encantado que se chamava Mundo Mágico das Fadas. Esse mundo é cheio de magia e de muitas brincadeiras. Nele havia uma fadinha muito bonitinha que se chamava Mel. A fadinha também tinha uma grande amiga chamada Melissa.
Um dia Mel e Melissa estavam passeando distraídas e acabaram entrando numa floresta proibida. A floresta era linda e cheia de flores, frutos e árvores. Mel então falou:
- Que lugar lindo, Melissa?
- É mesmo Mel, essas flores são lindas!
O que elas não sabiam é que essa floresta era amaldiçoada e que tinha criaturas feias. E elas continuaram voando. De repente apareceram duas flores gigantes e malvadas. As flores estavam com fome. Melissa então falou:
- Essa não! Vamos embora deste lugar rápido!
E elas voaram rápidas e no meio do caminho a Mel disse:
- Acho que nós nos perdemos.
Melissa respondeu:
- Deixa pra lá, vamos fugir! É isso que importa!
Elas voaram muito e conseguiram achar o caminho de volta e se salvaram. Mel disse:
- Que bom que não fomos devoradas por aquelas flores!
- Que bom mesmo! Quase viramos batatas fritas de flores carnívoras! – disse Melissa.
E assim elas viveram felizes para sempre e nunca mais voltaram para aquela floresta amaldiçoada.

Autora: Estefane Cavalcante
09 anos - Aluna da Escola Paraíso das Acácias

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

O MENINO MENDIGO


Era uma vez um menino que vivia pedindo dinheiro na rua. Ele sentava na beira da rua com uma latinha na mão e pedia dinheiro para as pessoas que passavam por ali.
Certo dia, esse menino sentou em frente a um orfanato. Uma mulher saiu de lá e viu o menino jogado ali. Ela então perguntou:
- Como é o seu nome?
O menino respondeu:
- Meu nome é Daniel. E o seu?
- Meu nome é Laura. E por que você está jogado aí, Daniel?
- Eu estou aqui porque minha mãe me jogou no lixo.
Laura então falou:
- Credo! Que mãe é essa que joga o próprio filho no lixo? Venha, entre, que eu vou cuidar de você.
Daniel ficou muito alegre e deu um abraço tão forte em Laura que ela também ficou alegre. Ela comprou roupas, sapatos e brinquedos para ele. Também comprou material escolar e uma cama do Ben 10. E ele viveu muito feliz. 

Texto e ilustração: KAMILA DE SOUSA
09 anos - Aluna do 4º ano da E.M. Paraíso das Acácias.

TUDO JUNTO E MISTURADO...



Por Paulino Barbosa

Sabe esse troço de “pré-conceito”, de você julgar as coisas ou as pessoas apenas pela aparência? Pois é! É uma forma imbecil de olhar o mundo a sua volta. Agora imagine você falar de um povo, do qual você nunca teve contato, com quem nunca conversou, nunca se misturou. Parece fofoca mesmo, né? Mas esse método já foi considerado “científico” e, durante quase um século, dirigiu o olhar hipócrita dos europeus sobre os demais povos da face da terra.
Foi o que aconteceu com um “desnaturalista” francês chamado Conde de Buffon, que no século XVIII, ousou a definir o povo do continente americano sem ao menos ter posto os pés no novo mundo. O cara era tão prepotente que tentou “comprovar” a inferioridade deste povo através da comparação com elementos da natureza. Ele afirmava que a ausência de animais gigantescos no continente, como elefantes, girafas, camelos, justificava o nível de inferioridades do povo daqui. Para este alienado, o estado bruto da natureza, pantanoso, com sua diversidade biológica era empecilho para o desenvolvimento de qualquer animal de grande porte e, consequentemente, prejudicial ao desenvolvimento humano. O cara era tão preconceituoso com o povo das Américas que chegou a taxá-lo de débil, pelo tamanho insignificante, pela sensibilidade e pela carência de vivacidade. Em outras palavras, uma “aberração da natureza”.
Ele dizia que onde a natureza era “organizada” as pessoas eram mais “belas” e “bem feitas”. Coisa que não existia no continente americano, pois as florestas tropicais não haviam alcançado um estágio de maturidade e de “organização”. Por isso, os animais e plantas viviam todos misturados, sem nenhuma organização, o que dificultava o desenvolvimento dos povos selvagens e inviabilizava qualquer tentativa de civilização.
Pobre Buffon, não sabe que da sua ignorância nasceu um novo modelo de sociedade totalmente contrário ao seu ínfimo pensamento. Mal ele sabia que dessa “desorganização”, dessa diversidade biológica, dessa mistura dos diferentes, estaria a origem do atual estágio da nossa sociedade.
Também não imaginava que um dia a sociedade pudesse estar toda interligada por redes de conexões e de relacionamentos, sejam em espaços físicos ou virtuais. Ele enlouqueceria se soubesse que essa “desorganização” tão combatida, seria o protótipo para o desenvolvimento das redes de comunicação no mundo. Onde o sistema de “um para todos” daria lugar ao de “todos para todos”, numa rede que não se sabe onde começa, por onde caminha e nem onde termina.
O imbecil morreria novamente se soubesse que aquela floresta dita “atrasada”, “desorganizada”, hoje é considerada um bem essencial para a sobrevivência das pessoas no planeta, justamente pela sua diversidade. E que pelo pensamento irresponsável de caras-de-pau, como ele, quase pôs tudo a perder.
Se você teve o saco de ler esta matéria até aqui, deve estar se perguntando, o que o pensamento desse cara, lá do século XVIII, tem a ver com a nossa realidade hoje. Na verdade, minha gente, essa tese está presente em nossos discursos e em nossas ações muito mais do que se possa imaginar. Não foi só no passado que a discriminação racial foi motivo de guerras e de genocídio no mundo inteiro. Até hoje, atos de racismo e de preconceito continuam velados ou expostos e continuam causando vítimas e matando silenciosamente pessoas ou grupos humanos. Só que hoje, o racismo não é mais protegido por lei e nem apoiado pela ciência, mas continua presente nas atitudes e discursos diários de muita gente.
Hoje, a discriminação não é apenas dos europeus para com o resto do mundo. Esta discriminação atravessou continentes, caminha pelos ares e tem pousado nos diferentes lugares. Com os atentados de 11 de setembro, criou-se a cultura do medo no mundo inteiro, onde os fluxos migratórios, os estrangeiros, são tidos como potenciais inimigos de países considerados de “primeiro mundo”. Esta situação tem provocado uma atitude de discriminação e invasão de privacidade por parte de governos, tentando fechar as portas e impor barreiras para controlar o fluxo migratório das pessoas no mundo. E com isso, direitos humanos são jogados no lixo, repressão e humilhação são proferidas em torno da dita “segurança”. Que poder é esse que leva um governo de um país a atravessar sua fronteira e espionar pessoas lá na caixa-prego? Peraí! Até quando vamos aceitar isso? Seria um novo modelo ditatorial?