domingo, 6 de novembro de 2011

PEQUENOS AUTORES

O TATU E O LEÃO
Texto de 
AMANDA DE ALMEIDA SANTA ROSA
09 anos
Aluna do 4º ano da E.M. Paraíso das Acácias


Numa floresta havia um tatu que amava passear. Só que nessa mesma floresta morava um leão. Mas o tatu não se intimidava com as garras e dentes aterrorizantes que o leão tinha.
E nesse mesmo dia o leão estava caminhando com toda a sua beleza pela floresta quando se deparou com aquele bichinho inofensivo e frágil. E o leão para se dispor como rei da floresta pensou em dar um susto no tatu. O tatu então encolheu-se todinho e não deixou o leão mordê-lo. Quando o leão viu que não tinha nada para ele, foi-se embora e deixou o tatu em paz.

PEQUENOS AUTORES

Durante mais de sete anos como educador atuante da Educação Básica das escolas públicas municipais de Macapá, tenho buscado estratégias para superar as inúmeras dificuldades que enfrentamos diariamente em sala de aula.
E para atacar um dos principais problemas que aflingem milhões de alunos em todo o país, que é a questão da escrita e leitura, em 2004 criamos o Projeto Resgatando o Prazer de Ler e Escrever a partir de Histórias de Faz de Conta. Trata-se de uma proposta pedagógica com resultados incontestáveis, tendo sido, inclusive premiada com o Prêmio Professores do Brasil em 2008 pelo Ministério da Educação.
Apesar de seu reconhecimento e importancia comprovada enquanto instrumento de enfrentamento das situações/problemas na alfabetização, tendo sido divulgada em revistas e jornais do país, em nível local pouco tem chamado a atenção dos profissionais que lidam com a educação neste Estado.
Desde a sua criação o projeto  já rendeu inúmeras atividades, como a construção de uma cartilha com textos escritos pelos alunos denominado Pequenos Autores, só que infelizmente não conseguimos apoio para publicá-lo. Diante dessa realidade, é que buscamos neste espaço, divulgar as criações dos alunos da Escola Municipal Paraíso das Acácias, escola onde desenvolvo atualmente o projeto. Assim, toda semana teremos um texto publicado neste blog para que você possa acompanhar o desenvolvimento do projeto.

Prof. Paulino Barbosa

domingo, 18 de setembro de 2011

REDES SOCIAS: o campo "minado" do jornalismo

REDES SOCIAIS: O campo “minado” do jornalismo

Paulino Rocha Barbosa[1]

“Dez Dias que Abalaram o Mundo” é considerado pela crítica um dos títulos mais interessantes da literatura mundial tornando-se um clássico do jornalismo. Lançado pelo americano John Reed, o livro relata com primor a Revolução Russa de 1917. Relançado recentemente, 94 anos depois, pela Peguin-Companhia das letras com nova tradução, tem-se certa descrença de que fará o mesmo sucesso, uma vez que, segundo Eblack (2011), temas como o coletivismo e socialismo, tão presentes na obra, parece não ter espaço na atualidade diante de uma sociedade calcada no individualismo e consumismo e fixada pelos iPads e outros lançamentos tecnológicos.
Iniciamos nossa discussão com a análise àcima no sentido de nos situarmos historicamente dentro do atual contexto pelo qual atravessa a sociedade. Vivemos uma era de profundas transformações, onde a tecnologia parece representar bem esse estágio social. Com o advento da internet novas possibilidades e modalidades de relacionamento foram surgindo e com isso, barreiras até então intransponíveis foram sendo quebradas. E as influências dessas transformações são sentidas em todos os setores sociais.
Alguns jornalistas têm criticado o papel da internet enquanto veículo de comunicação por dispor de uma infinidade de informações à disposição das pessoas o que acabaria complicando o entendimento dos receptores. Tal justificativa parte do pressuposto de que, com a internet, qualquer um pode postar e acessar qualquer texto, pois as informações estão ao alcance de qualquer um que saiba clicar um mouse.
Para Gomes (2011), isso é um grande equívoco que tem a ver com a falta de preparo de quem acessa a informação e não da internet, que apenas tornou tal acesso mais fácil. Para esse autor o que estraga a circulação de informações na internet é a falta de hábito de se checar as informações, daí a necessidade de um aparato crítico por parte do leitor.
Nesse sentido, o acesso aos conteúdos significa pluralidade e diversidade na recepção de informação pela internet e também em sua difusão pela rede mundial de computadores. Conforme afirma Evangelista (2010), no momento em que a mídia deixa de ser o quarto poder para se tornar um quarto no poder e quando a concentração dos meios de comunicação ameaça ou limita a liberdade de expressão, a internet se torna um “instrumento crucial para favorecer os direitos humanos e facilitar a participação da cidadania e, em consequência, para transformar-se em fundamento da construção e do fortalecimento da democracia” (LA RUE apud CAPDEVILA, 2011).
O advento da internet possibilitou o surgimento de uma nova ferramenta virtual de relacionamento ou mídias sociais, ou ainda, “mídia-socialização”, neologismo criado por Torres (2010) para explicar esse novo fenômeno da internet.
Para Meira (2011), nos últimos anos, o “social” parece ter se tornado uma espécie de segunda natureza dos negócios. E com a mídia não poderia ser diferente, só que essa mesma mídia que parece não ter rosto ou identidade e muito menos limite geográfico, é conduzida por pessoas em redes sociais, em uma voz humana. E as comunidades que se formam nessas redes querem discutir, propor, serem entendidas e atendidas. E muitos setores sociais já perceberam a importância dessa mídia e têm feito bastante uso não só para divulgar seus produtos, mas também idéias. É o caso das eleições presidenciáveis dos Estados Unidos e do Brasil, onde as vias digitais, principalmente as ferramentas de mídias sociais e redes sociais, foram usadas como canais de ampla divulgação de propaganda eleitoral.  
Portanto, não dá para negar a existência e a eficácia dessa nova mídia, da mesma forma que não dá para perder tempo tecendo críticas ou ficar preocupado em ser substituído no mercado de trabalho por essa nova ferramenta, como fazem alguns jornalistas. Na verdade essas mídias não vão e nem podem tomar o lugar dos profissionais da comunicação. Até mesmo porque, conforme expomos anteriormente, essas mídias são feitas por pessoas. Da mesma forma que haverá uma infinidade de usuários postando as mais diversas informações em seus blogs, twitter, facebook, entre outros; haverá também uma sociedade sedenta pela informação verificada, investigada e produzida, ou como diria Carl Bernstein, “a melhor versão possível da verdade”, e isso só o verdadeiro jornalista é capaz de fazer.
Nesse contexto, para Evangelista (2010), o papel do jornalista é fazer uso dessas ferramentas para revelar histórias não contadas, para investigar, para descobrir aquilo que à primeira vista ou à vista da maioria parece banal, mas que pode ser extraordinário. Através do jornalismo pode-se denunciar o que está errado e anunciar o que pode ser correto, sem deixar de lado a ética. E a ética, segundo esse autor, não pode ser tomada apenas como um conceito filosófico, mas como uma postura de vida, a tomada de uma posição que seja a mais justa possível.
Nesse sentido, tomar posição na visão de Evangelista (2010) é, entre outras coisas, revelar a realidade, quase sempre mascarada por números e estatísticas, às vezes equivocados, às vezes precisos, mas sempre frios e distantes. Essa realidade tem nome e sobrenome, tem história. E não é natural. Essa é a missão do jornalista, esse é o grande desafio que se coloca para esse profissional.

REFERÊNCIAS

CAPDEVILA, Gustavo. Governo e poderosos temem a internet. In: Observatório da Imprensa, n. 646, 14. Jun. 2011.

EBLACK, Luís. Jonh Reed: Não fui um homem neutro. In: Observatório da Imprensa, n. 625, 18. Jun. 2011.

EVANGELISTA, Fernando. Para que serve o jornalismo? In: Observatório da Imprensa, n. 579, 02. Mar. 2010.

GOMES, Roberto. Internet: a culpada? In: Observatório da Imprensa. N. 646, 14. Jun. 2011.

MEIRA, Silvio. Os limites das redes sociais... In: Observatório da Imprensa, n. 646, 14. Jun.2011.

TORRES, Cleyton Carlos. Imprensa deve fazer a lição de casa. In: Observatório da Imprensa, n. 590, 18. Mai. 2010.






[1] Acadêmico do Curso de Jornalismo da Universidade Federal do Amapá – AP. Email: paulinobarbosa@bol.com.br.

terça-feira, 30 de agosto de 2011


Esta é uma poesia feita por meu aluno Gabriel Carvalho e que participou das Olímpiadas Brasileiras de Língua Portuguesa do ano de 2010.



AS BRISAS DE MACAPÁ

O vento sopra as bacabeiras,
de onde a bacaba vem.
Se não fosse essas palmeiras,
Macapá não teria o nome que tem.

Os índios que aqui nasceram,
muitos deles já morreram.
Mas deixaram uma coisa grandiosa
Macapá, terra maravilhosa.

É o marabaixo uma dança,
típica de Macapá.
Tem também pontos turísticos,
que você pode visitar.

Da Fortaleza ao museu Sacaca,
banhada pelo Rio Amazonas,
junto a Linha do Equador,
Macapá tem seu valor.

Pelas mãos da Mãe Luzia,
Nossa população aumentou.
Com a benção de São José,
Macapá, aqui estou.

AUTOR: GABRIEL CARVALHO BRITO – 09 anos
E.M. Vera Lúcia Pinon Nery

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A SOCIEDADE ATUAL E O JORNALISMO: um breve olhar.




Por Paulino Rocha Barbosa[1]

Um dos grandes questionamentos que se faz na atualidade é quanto ao momento histórico pelo qual atravessa a sociedade. Será que estamos vivendo o período moderno ou estamos além, diante de uma possível pós-modernidade? A resposta para tal questionamento vem sendo buscada incessantemente por diversos estudiosos em diferentes áreas do conhecimento e o resultado nem sempre é convergente. Se o que se busca é uma ordem pré-estabelecida para explicar o momento presente o que se encontra talvez seja uma nova ordem ou simplesmente a falta dela. Diante dessa indefinição ou falta de conceituação do que se vive realmente na atualidade, uma coisa é bem certa, o mundo passa por uma crise de identidade sem precedentes que afeta quase ou completamente todas as esferas sociais.
Diante desse contexto estaria o ser humano perdendo a sua principal característica que os distingue de outros animais que é a racionalidade humana? Considerando que a racionalidade aqui especificada é a capacidade do homem de construir e de reconstruir o seu espaço, ou seja, um ser criativo e eminentemente cultural; e que, por isso mesmo, jamais deixará de exercer essa sua capacidade natural mesmo dentro de um contexto dito “irracional”. O que se percebe atualmente é uma nova visão de homem baseada na individualidade para atender a uma necessidade mercadológica que pretende transformá-lo em um potencial consumidor.  Nesse sentido, o espírito de coletividade para universalizar um determinado valor social parece desaparecer em razão de que não existe mais um único modelo a ser seguido e sim uma infinidade deles. E é essa busca incessante dos diversos atores/entidades dominantes em conquistar a individualidade de cada pessoa que vem provocando a fragmentação da cultura e da sociedade como um todo.
E como produção eminentemente humana, o campo das ciências também vem sendo afetado por essa crise de identidade, onde as diversas áreas do conhecimento buscam uma redefinição do seu próprio papel e objetos de estudo, onde os paradigmas, a toda hora, são colocados à prova.  O que se tinha como verdade irrefutável hoje pode ser vista apenas como uma possibilidade diante de um emaranhado de contradições que permeiam as diversas áreas do conhecimento. Tudo isso vem provocando certa descrença com o próprio conhecimento científico diante dos inúmeros conhecimentos produzidos por outras agências e veiculados numa rapidez assustadora e de fácil acesso a população.
E como área do conhecimento, a comunicação social não poderia estar ausente das influências devastadoras desse momento por que passa a sociedade. E falando especificamente da área jornalística e como não poderia ser diferente, também vive uma crise de identidade. Essa área que já sofreu tantas influencias, hoje parece sofrer todas ao mesmo tempo. O fato é que o jornalismo no Brasil tornou-se um veículo apaziguador dos diversos interesses, que na ânsia de agradar a todos, esquece de desempenhar o seu verdadeiro papel. Nesse sentido, é difícil pensar num jornalismo autônomo, mediador e formador de uma opinião coletiva e híbrida diante de uma série de situações porque passa essa profissão no país. Em primeiro lugar os maiores meios de comunicação do país estão atrelados aos grandes grupos empresariais que detém o controle de produção e de difusão dos bens culturais, tornando a área jornalística um espetáculo onde se reúnem consumo, publicidade, marketing,  serviço, visando atrair o capital para se obter lucro. Nesta visão o jornalismo parecer ficar em segundo plano, um mecanismo a serviço do capital.
Outro fato relevante e que tem dificultado a área do jornalismo enquanto ciência é a não exigência de formação específica para o exercício da profissão. O jornalista deveria ser um interlocutor previamente reconhecido como tendo o direito de divulgar a informação a sociedade. E esse reconhecimento deveria vir com uma formação mínima em nível de graduação, o que é dispensável no Brasil. Com isso, os jornalistas concorrem com uma série de “amadores” que transformam fatos em notícias sem a devida apuração, colocando em jogo a credibilidade do jornalismo no país e no mundo.  Como não bastasse isso, os meios de divulgação de informações atuais como a internet, transmitem essas informações em tempo real, transformando a notícia numa verdade incerta e instantânea.
Nesse plano de discussão qual seria o papel do jornalismo e será que ainda existe espaço para o verdadeiro jornalista na atualidade? Esse é o grande desafio que se coloca para a profissão. Espaço para bons jornalistas sempre existiu e sempre existirá, até mesmo porque essa é uma profissão indispensável para a (re)construção de uma sociedade calcada na coletividade. O que precisa ser feito pelo jornalista é buscar a sua formação inicial e continuada a fim de tornar-se um sujeito crítico e reflexivo diante das inúmeras contradições e problemáticas, mas também de opções a serem seguidas em busca de um jornalismo autônomo e verdadeiramente preocupado com a credibilidade e neutralidade da informação, ou seja, um profissional verdadeiramente comprometido com as questões sociais.
  


[1]  Acadêmico do Curso de Jornalismo da Universidade Federal do Amapá – UNIFAP. email: paulinobarbosa@bol.com.br. Macapá-AP